A zanga dos artistas
Wiliam de Oliveira
Vamos combinar. A maioria dos artistas, notadamente aqueles que não vivem nos grandes centros, não sabe fazer conta. Talvez, em decorrência disso, tem muita gente que também não faz conta do artista. E quanto custa um show, uma apresentação, um trabalho autoral? Depende, né? Depende da compreensão do administrador, do dono do bar ou casa de show, da verba disponível, das condições do tempo, da presença do público, do marketing cultural etecetera e tal. É muita dependência. Mas, levando-se em conta que o dinheiro é que mantém as contas de todos nós em dia, o artista necessita cada vez mais, sair do mundo do “faz de conta” e cair no real: o mundo exige pessoas prestando contas, e, afinal, artista também paga água, luz, aluguel. Muitas vezes, paga até mico!
Assim, embora não seja de nossa conta, acreditamos que todo artista deveria contar com um contador. Não o de histórias, que este também é um artista, mas com aquele profissional que tem a calculadora como instrumento. E vem a pergunta: como calcular a dor de um artista ao ver seu trabalho desvalorizado? O artista poderá discordar. “Quer dizer que, além de tudo que temos que fazer para manter a nossa sobrevivência, ainda teremos que pagar as contas de um contador? Ah! conta outra vai...” Concordo.
O que acontece é que para o artista, o que vale é a apresentação do seu número na praça. Mas, para o mundo o que vale mesmo é a apresentação dos números no mercado. Banco para o mundo é a instituição que cuida dos investimentos financeiros. Já para o artista, banco é um lugar onde as pessoas sentam para ver uma peça teatral, um espetáculo. O patrimônio do artista é a sua arte. Para o mundo, patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações que uma empresa possui.
A zanga de um artista é quando o seu trabalho é visto apenas pelo seu preço e se esquecem do valor cultural que este venha a representar para determinada comunidade. O que ele faz é insubstituível e intransferível e em razão disso, não quer que o vejam apenas como um boneco sem expressão. OK! Mas, como sobreviver em um mundo que vive sobre a pressão dos custos, do show business, onde a arte é mais um produto a ser comercializado?
O artista vive da expressão, da sensibilidade.
O mundo vive sobre pressão da contabilidade.
Enfim, para o artista o que vale é o verbo. Para o mundo, é a
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